Fomento ao Turismo Sustentável em Iporanga

Iporanga é um município situado na região do Vale do Ribeira em sua porção paulista, sendo característico de seu território – assim como tudo que faz parte dessa região – a presença de significativas expressões de Mata Atlântica remanescente, onde subsistem populações tradicionais de manifestações culturais singulares.

Com vistas à promoção de um modelo de desenvolvimento do município apoiado nas características intrínsecas da localidade e de seus atores, a nova administração municipal, na figura do prefeito Valmir da Silva e da secretária de turismo Quischiline Horiy, mais conhecida como Shimi, deu início ao processo de fomento ao turismo sustentável em Iporanga. Este processo que agora sucede em Iporanga vem acontecendo em diferentes municípios do Vale do Ribeira como resultado do reconhecimento, cada vez maior, de que a atividade turística organizada de modo sustentável, como Cajati e Barra do Turvo, e apresenta-se como um eixo econômico fundamental para alavancar de forma sinérgica os demais setores das economias locais de maneira equilibrada com a manutenção dos recursos naturais e culturais da região.

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Para tanto, reuniram-se no dia 25 de abril de 2013, na biblioteca municipal, diferentes atores locais como representantes da prefeitura, Associação de Monitores Ambientais de Iporanga (AMAIR), lideranças comunitárias, comunidades quilombolas (Nhunguara, Bombas, Praia Grande, Bairro Ribeirão, Ivaporunduva), Fundação Florestal, ITESP, polícia ambiental e organizadores do Circuito Quilombola de Eldorado que compareceram para participar de uma Oficina de Planejamento Estratégico e Participativo voltada à elaboração de um projeto de turismo sustentável e de base comunitária para Ipornaga. Conduziu a oficina, a empresa Manufatura de Ideias, atuante no campo do turismo sustentável e especializada na organização de oficinas participativas.

Esta oficina tinha o objetivo de nivelar os conhecimentos sobre a atividade turística, analisar o estágio em que se encontra esta atividade em Iporanga e levantar subsídios para a elaboração de um plano de ação. Esperava-se com ela que os participantes saíssem devidamente sensibilizados para a importância de se trabalhar o turismo de base comunitária como eixo estratégico do desenvolvimento local e que fossem apontadas as diretrizes para a elaboração de um plano de ação.

TURISMO E DESENVOLVIMENTO LOCAL

A relação entre turismo e desenvolvimento local, seja de um município ou região, é algo que passa a ser considerado de maneira estratégica a medida em que se reconhece que os processos de desenvolvimento ultrapassam a dimensão meramente econômica, aliando de forma integrada as dimensões cultural, socioambiental e política. A razão disso é que o turismo é uma das poucas atividades econômicas que requer a integração dessas diferentes dimensões.

Desenvolvimento local é um processo de dinamismo territorializado que mobiliza e investe nas vocações locais para elevar as oportunidades e a qualidade de vida das populações que lá habitam. Esse desenvolvimento local será considerado sustentável se garantir a conservação dos recursos naturais de forma a assegurar não só o bem estar do presente, mas também do futuro dessa localidade.

Tal processo, demanda um movimento de mobilização e organização da sociedade local em suas capacidades e potencialidades próprias, no qual a administração pública possui um papel protagonista como fomentadora, planejadora e condutora.

É necessário partir de um amplo conhecimento do território em suas múltiplas dimensões econômicas, socioambientais, culturais e políticas e construir estratégias para integrar ações e promover sinergias entre diferentes setores e atividades produtivas. Nesse sentido, deve-se buscar aquelas atividades capazes de fazer convergir diferentes esforços e o turismo apresenta-se como uma dessas atividades.

A atividade turística, se bem planejada, é capaz de movimentar a economia local, gerando emprego e renda nos setores da agropecuária, indústria e comércio, pois requer o aproveitamento dos recursos locais. Não se trata de qualquer turismo, pois são notórios diversos casos de impactos negativos produzidos pelo turismo. Trata-se de um turismo sustentável com ênfase no desenvolvimento local que seja voltado para e, portanto valorize, as peculiaridades do território e da comunidade nativa e demande a conservação dos recursos naturais a longo prazo. Este turismo irá atrair um público específico.

O POTENCIAL DE TURISMO SUSTENTÁVEL EM IPORANGA

Iporanga possui cerca de 1.152 km² e uma população de  4.299 habitantes, dos quais 2.401 encontram-se no perímetro urbano e 1.898 na zona rural, segundo o censo de 2010 do IBGE, o município dista 360 km da capital do Estado e 175 km de Curitiba.

Mais precisamente localizado na zona do Alto Ribeira, o município de Iporanga aresenta uma paisagem bastante florestada e montanhosa. Seu território concentra grandes extensões de floresta, rios, montanhas, cavernas e cachoeiras, onde habitam uma importante fauna silvestre de pássaros e mamíferos, o que faz com que grande parte desse território esteja coberta por unidades de conservação.Ali estão presentes os Parques Estaduais (PE) Turístico do Alto Ribeita (PETAR), o Intervales e as Áreas de Proteção Ambiental (APA) Serra do Mar e Quilombo do Médio Ribeira, como pode ser vistas no mapa abaixo.

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A legislação de proteção ambiental que vigora nestes espaços impõe restrições a uma série de atividades econômicas, fazendo com que o turismo desponte como alternativa. Nesse sentido, destacam-se como atrativos naturais para o ecoturismo as cachoeiras do Sem Fim, Andorinha, Beija-Flor, Taquaruvira e as Cavernas Santana, Casa de Pedra, Lage Branca, Morro Preto entre tantas (são mais de 300 catalogadas). Os esportes de aventura também são muito praticados como boia – cross, rappel, cascading, canionismo, tirolesa, canoa e caiaque, espeleoturismo e trilhas.

A dimensão cultural de Iporanga também constitui vários atrativos para o turismo. As comunidades rurais caipiras e remanescentes quilombolas da localidade são detentoras de manifestações peculiares como artesato, gastronomia, danças e festas típicas.

Todavia, seja por meio do turismo rural ou o ecoturismo, constata-se que Iporanga apresenta grande potencial para o turismo de base comunitária.

PLANEJAMENTO PARTICIPATIVO E PRÓXIMAS ETAPAS

A Oficina de Planejamento Estratégico e Participativo foi dividida em três partes. Na primeira parte, após a apresentação dos participantes e de suas expectativas, foi introduzido o conceito de turismo sustentável e de base local pela Manufatura de Ideias e apresentado a experiência bem sucedida do Circuito Quilombola pelo secretário executivo desse projeto Jorlei da Costa Pereira. A secretária municipal de turismo Shimi fez uma intrudução aos trabalhos do dia, contextualizano aos participantes as ações que vem sendo empreendidas pela prefeitura para o turismo de Iporanga e como a presente atividade se integra a elas.

Na segunda parte, os participantes foram divididos em dois grupos, cada qual para pensar numa dimensão específica do turismo no município. O grupo 1 estava encarregado de pensar os atrativos naturais e culturais, apontar quais deles são viáveis no momento e quais necessitam de pequenas ou grandes adequações. O grupo 2 estava incumbido de pensar sobre os equipamentos (meios de hospedagem e alimentação) e infraestrutura (acessos, hospitais…) e responder quais as principais deficiências nestas áreas. Este trabalho foi desenvolvido sobre mapas do município de Iporanga feitos a partir de imagens de satélites, o mesmo mostrado acima, que foi impresso num tamanho A0. Os dois grupos apresentaram o resultado de seus trabalhos em que todos participantes puderam comentar e contribuir.

Na terceira parte do encontro, com base nos resultados saídos dos grupos, buscou-se organizar quais as ações e etapas necessárias do Plano de Desenvolvimento do Turismo Sustentável de Iporanga.

O projeto do plano será redigido pela Manufatura de Ideias que apresentará à comunidade local em novo encontro para validação do projeto, no dia 15 de maio de 2013. O projeto após validado deverá buscar financiamento junto ao governo federal ou outras fontes de recurso.

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