Cinevale (6) – Guaraqueçaba

Informações prévias sobre Guaraqueçaba

Guaraqueçaba significa, em tupi-guarani, “lugar de muito guará”, ave semelhante a uma garça de cor avermelhada que já foi abundante na região. A região foi o primeiro assentamento colonial do território do Paraná, em 1545. As correntes de penetração no território iniciam-se a partir de 1638 em função da descoberta de ouro nas encostas da Serra Negra. Por esta época, chegaram os jesuítas e fundaram em Superagui o primitivo núcleo populacional da região. No entanto, foi somente no século XIX, com a construção de uma capela no morro do Quitumbê, que surgiram as primeiras edificações que formariam o povoado. Este povoado foi elevado, em 1854, à condição de Freguesia e, em 1880, à município. Em 1938 foi anexado novamente à Paranaguá como simples distrito. Em 1947, sua autonomia foi restaurada e o município de Guaraqueçaba foi novamente instalado. Os primeiros colonos da região eram suíços-franceses, vindos das margens do lago Leman que, fixados em Superagui, deram impulso a agricultura e introduziram seus costumes culturais. Mais tarde, vieram fazendeiros do Norte paranaense.

Ações Preparatórias

O contato foi feito com o poder público através de Marcelo Aquino, diretor de cultura e turismo de Guaraqueçaba que definiu os locais de exibição. Com ajuda de Carem, da Paraná Turismo, conseguimos uma matéria do projeto nos jornais regionais Gazeta do Litoral do Paranaguá e Folha do Litoral e também nas rádios Litoral Sul 95.9 e Ilha do Mel 90.3.

Dia 08/08 – Chegada em Guaraqueçaba

A viagem São Paulo – Guaraqueçaba foi toda feita por terra, levando aproximadamente nove horas. Apesar de o município fazer divisa com Cananéia, o acesso via estrada é bem complicado, precisando seguir pela a Estrada da Graciosas até Morretes para pegar a PR 340 até a localidade de Cacatú e depois a PR 405, trecho final de 85 Km sem asfalto e cravado de buracos e pedregulhos. Cabe ressaltar que Guaraqueçaba esteve isolada por terra até 1970. O mau tempo contribuiu para dificultar o caminho, devido a uma frente fria vinda do sul, formando, dias depois, um ciclone em Santa Catarina do qual pudemos sentir o efeito de sua rebarba.

A exibição estava prevista para o bairro de Serra Negra, distante 30 Km do centro, as 19:00, mas ao chegarmos a chuva era muito forte e os moradores estavam dentro de suas casas com pouca disposição de sair. Assim, eles nos propuseram que fizéssemos no dia seguinte, pois estariam mais preparados e mobilizados para a sessão. Nós aceitamos e partimos para Guaraqueçaba para cuidar de nossa hospedagem e pensar como faríamos o remanejamento das comunidades para não deixar de contemplar nenhuma das que estavam programadas.

Dia 09/08 – Serra Negra

Logo de manhã, procuramos o diretor municipal de turismo e cultura Marcelo Aquino, com quem havíamos articulado a visita. Explicamos o que ocorrera no dia anterior e Marcelo nos propôs uma nova programação. Inicialmente estavam previstas exibições na parte costeira, em Ilha das Peças e no Parque Nacional de Superagui. Mas, segundo ele, a secretaria de educação de Guaraqueçaba já estava levando cinema aos moradores das ilhas com o projetor multimídia da prefeitura, por isso a proposta é que nos concentrássemos nas comunidades do continente que ainda não haviam recebido esse trabalho. Inserimos então as comunidades de Ipanema e Morato, esta última que abriga a RPPN Salto Morato. Como perdemos um dia, a ideia era que os moradores de Ipanema participassem da sessão em Morato.

Ao se aproximar o fim da tarde, partimos para a comunidade de Serra Negra, ainda sob chuva, para realizar a exibição. De fato, alguns moradores estavam preparados nos aguardando, mas não tantos quanto nós esperávamos, pois a chuva continuou a desencoraja-los. O resultado final, no entanto, foi positivo já que os 36 espectadores gostaram do filme e ficaram até o final para o debate em que muitos contribuíram com questões interessantes.

Dia 10/08 – Tagaçaba

O dia mais uma vez amanheceu chuvoso e desta vez com a programação definida tentamos fazer a divulgação na rádio e garantir que ônibus municipais levassem moradores de bairros não contemplados a participar das sessões, assim como fizemos em Adrianópolis.

Ao final da tarde, partimos para a comunidade de Tagaçaba, que ficava depois de Serra Negra, aproximadamente a 40 Km do centro. A exibição aconteceu na Escola Municipal Rural de Tagaçaba, onde a aula foi suspensa para os alunos assistirem ao filme. Os alunos do noturno eram secundaristas, mas haviam menos do que o normal, devido ao ônibus que quebrou no caminho.

A escola costuma ficar trancada para que os alunos não saiam e para que não entre pessoas de fora da escola. Mas, como a sessão tinha um caráter diferente, pedimos que abrissem uma exceção nesse dia, o que foi aceito pela diretoria da escola e funcionou atraindo todos que passavam em frente. Ao todo, a sessão contou com 111 espectadores, mas o debate no final não foi muito bom, pois o público ficou um pouco acanhado.

Dia 11/08 – Morato

A partir desse dia, uma quinta-feira, a chuva se dissipou e o céu se abriu mostrando toda a beleza de Guaraqueçaba. Como a sessão estava marcada na comunidade de Morato, onde se encontra a RPPN da Boticário, aproveitamos para ir mais cedo e poder conhecer a eserva e seu trabalho de conservação. A reserva possui uma boa estrutura para hospedagem de visitantes e centro de pesquisadores e sua principal atração e a Queda do Morato, uma cachoeira de sessenta metros de altura. Contudo, o trabalho da reserva junto à comunidade deve ser analisado com mais cuidado, pois em conversas com moradores, estes demonstraram insatisfação, alegando que a mesma não envolve devidamente a comunidade, inclusive, cobrando deles a mesma taxa que cobra aos turistas por uma visitação.

A exibição foi montada na Casa dos Artesões do Morato, uma entidade local recentemente organizada, que contribui para geração de renda dos moradores do bairro, a maior parte agricultores, aproveitando a atividade tradicional do artesanato das mulheres. Como não foi disponibilizado transporte, os moradores do bairro de Ipanema não puderam comparecer. O espaço era pequeno e as pessoas que compareceram foram poucas, apenas 43, a maior parte crianças e jovens de 11 a 16 anos. Mesmo assim, a sessão foi boa, houve pipoca para o público e uma conversa descontraída ao final em que percebemos que eles captaram a mensagem do filme.

Dia 12/08 – Centro

Com a melhora do tempo, a equipe percorreu de barco as ilhas de Superagui para divulgar a essas comunidades e conhecer suas histórias.

Devido a chuva forte do começo da semana, marcamos no ginásio poli-esportivo ao invés da praça principal, mas quando parou de chover Marcelo insistiu que mantivéssemos no ginásio, pois acreditava ser melhor para as pessoas assistirem ao filme sentadas. Porém, a realização dentro do ginásio acabou escondendo a exibição pública e muitas pessoas acabaram não assistindo. De toda maneira, haviam ao todo 121 espectadores durante a sessão.

Dia Hora Exibição Bairro Público
09/08 19:00 Barracão comunitário da igreja católica Serra Negra 36
10/08 19:00 Escola Municipal Rural de Tagaçaba Tagaçaba 111
11/08 19:00 Casa dos Artesões do Morato Morato 43
12/08 19:00 Escola Municipal de Guaraqueçaba Centro de Guaraqueçaba 121
TOTAL 311

Avaliação

Enfrentamos uma intensa chuva que nos prejudicou e nos obrigou a cancelar e remanejar algumas datas das exibições. Outro fator foi a agitação do mar que impossibilitou um transporte seguro e adequado dos equipamentos e da equipe.

Como positivo, avaliamos o aperfeiçoamento na armação mais sólida da tela, o fato de termos ido em dois carros, o que permitiu que pudéssemos nos dividir para fazer diferentes tarefas ao mesmo tempo, e mais uma vez a recepção do público que elogiou bastante.

Veja o álbum de fotos completo do Cinevale em Guaraqueçaba aqui.